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As dores do trauma vivido no passado pode ser a causa da minha ansiedade de hoje?

A ansiedade é uma condição complexa e multifacetada que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Ela pode surgir de diversas causas, desde fatores biológicos e genéticos até experiências de vida. Uma questão que frequentemente surge entre aqueles que sofrem de ansiedade é: "As dores do trauma vivido no passado podem ser a causa da minha ansiedade de hoje?" Para responder a essa pergunta, é essencial explorar a natureza dos traumas, os mecanismos pelos quais eles podem afetar a saúde mental e as maneiras pelas quais essas experiências podem ser tratadas.

Traumas são eventos profundamente angustiantes que deixam marcas duradouras na mente e no corpo de uma pessoa. Eles podem resultar de uma ampla gama de situações, como abuso físico ou emocional, acidentes, desastres naturais, ou perdas significativas. Quando alguém vivencia um evento traumático, o cérebro registra essa experiência de maneira diferente de outras memórias. O sistema de resposta ao estresse do corpo é ativado, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina, que preparam a pessoa para lutar ou fugir. Embora essa resposta seja útil em situações de perigo imediato, sua ativação constante ou inadequada pode levar a problemas de saúde mental, incluindo transtornos de ansiedade.

A relação entre trauma e ansiedade é bem documentada na literatura científica. Estudos mostram que pessoas que passaram por eventos traumáticos têm uma probabilidade significativamente maior de desenvolver transtornos de ansiedade. Isso ocorre porque o trauma pode alterar a forma como o cérebro processa as emoções e as ameaças. Regiões do cérebro como a amígdala, que é responsável por detectar o perigo, podem se tornar hiperativas, enquanto o hipocampo, que ajuda a regular as respostas emocionais, pode encolher. Essas mudanças podem fazer com que uma pessoa se sinta constantemente em estado de alerta e medo, mesmo quando não há uma ameaça presente.

Além das mudanças biológicas, o trauma pode impactar a forma como uma pessoa vê o mundo e a si mesma. Traumas muitas vezes levam a sentimentos de impotência, falta de controle e vulnerabilidade. Uma pessoa que passou por um trauma pode desenvolver uma visão negativa de si mesma, acreditar que o mundo é um lugar perigoso e que ela é incapaz de lidar com futuras adversidades. Esses pensamentos e crenças podem alimentar a ansiedade, criando um ciclo vicioso onde a ansiedade reforça as memórias traumáticas e vice-versa.

Outra forma pela qual o trauma pode levar à ansiedade é através do desenvolvimento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). O TEPT é uma condição que pode surgir após a exposição a um evento traumático e é caracterizado por sintomas como flashbacks, pesadelos, hipervigilância e evitação de situações que lembram o trauma. Pessoas com TEPT frequentemente experimentam altos níveis de ansiedade, pois estão constantemente revivendo o evento traumático e tentando evitar gatilhos que possam trazer essas memórias à tona.

Dada a forte conexão entre trauma e ansiedade, é crucial que pessoas que sofrem de ansiedade considerem a possibilidade de traumas passados como uma causa subjacente. No entanto, reconhecer essa ligação é apenas o primeiro passo. O tratamento eficaz da ansiedade relacionada ao trauma geralmente requer abordagens terapêuticas específicas. Duas terapias amplamente utilizadas para tratar TEPT e ansiedade relacionada ao trauma são a Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) e o Brainspotting (BSP).

Terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) é uma abordagem que envolve a estimulação bilateral (como movimentos oculares, toques ou sons) enquanto o paciente se concentra em aspectos perturbadores da memória traumática. Este processo ajuda a dessensibilizar a memória e reprocessá-la de uma forma que reduz sua carga emocional negativa. A EMDR é particularmente eficaz porque permite que o cérebro acesse e reprocessa memórias traumáticas de maneira controlada, facilitando a integração dessas memórias e reduzindo os sintomas de ansiedade.

Brainspotting (BSP) é uma técnica que utiliza a posição ocular para identificar, processar e liberar experiências e sintomas emocionais profundamente armazenados no cérebro. O BSP trabalha com a premissa de que as posições oculares podem revelar onde o trauma está "armazenado" no cérebro. Durante uma sessão de BSP, o terapeuta guia o cliente a encontrar a posição ocular que ativa a resposta emocional associada ao trauma. A partir daí, o cliente é encorajado a manter o foco naquela posição, permitindo que o cérebro acesse e processe a memória traumática em um nível profundo. Essa abordagem pode ser particularmente eficaz para pessoas que têm dificuldade em verbalizar suas experiências traumáticas, pois permite que o processamento ocorra em um nível mais subconsciente e somático.

Além das terapias formais, estratégias de autocuidado e suporte social desempenham um papel vital na recuperação. Práticas como a meditação, exercícios regulares e técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir os níveis gerais de estresse e ansiedade. Manter uma rede de apoio forte, seja através de amigos, família ou grupos de apoio, também é crucial, pois o isolamento pode exacerbar os sintomas de ansiedade e dificultar a recuperação.

No entanto, é importante notar que nem todas as pessoas que sofrem de ansiedade têm um histórico de trauma. A ansiedade pode surgir de várias outras fontes, incluindo predisposição genética, desequilíbrios químicos no cérebro, estresse crônico e fatores ambientais. Portanto, enquanto o trauma pode ser um fator significativo, ele não é a única causa potencial de ansiedade.

Para aqueles que acreditam que seus traumas passados estão contribuindo para sua ansiedade atual, é vital procurar ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras têm as ferramentas e o conhecimento para ajudar a identificar a ligação entre trauma e ansiedade e desenvolver um plano de tratamento eficaz. Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem superar os efeitos do trauma e reduzir significativamente seus sintomas de ansiedade.

Em conclusão, as dores do trauma vivido no passado podem, de fato, ser a causa da ansiedade de hoje para muitas pessoas. Os traumas alteram a maneira como o cérebro funciona, influenciam as percepções e crenças de uma pessoa e podem levar ao desenvolvimento de condições como o TEPT. No entanto, com a terapia adequada e estratégias de autocuidado, é possível tratar e gerenciar essa ansiedade, permitindo que os indivíduos recuperem o controle sobre suas vidas e alcancem um estado de bem-estar emocional.




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