Lições em Tempos de Pandemia: Décima lição A Não Violência

É fundamental que compreendamos que a ausência de guerra não caracteriza a ausência de violência, desta forma esse tema é fundamental neste contexto que vivemos, a violência se expressa por meio de nossas palavras, gestos e ações, enfim nossas escolhas impactam o mundo que vivemos. Como dizem os filósofos existencialista, como Jean Paul Sartre ao escolher para si se escolhendo para o mundo, e somos responsáveis por nossas escolhas e por suas consequências. Vejamos se você escolher seguir orientações cientificas sérias estará escolhendo proteger a si e aos outros, no entanto, se optar por atitudes egocêntricas, em dizer sou livre e não irei usar máscara estará colocando em risco a vida de outras pessoas, bem como está colaborando com seu exemplo para criar contextos que podem gerar mais contágio.

Somos a única espécie que se destrói por ira, e isso expõem o quanto somos responsáveis pela guerra, bem como por toda as atitudes de violência e não podemos colocar essa responsabilidade em Deus, independente da forma que o concebemos, pois temos o livre arbítrio e o sofrimento da humanidade advém das escolhas que cada um faz, sendo que muitas são danosas para a coletividade, pois priorizam apenas interesses próprios ou de pequenas minorias em detrimento do sofrimento de muitos.

Vejamos a guerra de informação que vivemos nesta Pandemia e o quanto as falas agressivas, destrutivas são direcionadas para defender interesses particulares, enquanto muitos optam em buscar no silêncio realizar ações para ajudar aqueles com necessidades maiores. É interessante perceber que aqueles que mais contribuem para a coletividade o fazem de forma discreta e suas ações não prejudicam a ninguém.

A paz é silenciosa, é serena, é pacífica, enquanto a violência é barulho, é grito, é agressão e destrutividade. Então, o que gera todas as formas de violência é o egoísmo e a intolerância e, a paz acontecerá quando coletivamente a felicidade do outro for mais importante do que a satisfação egoísta dos desejos individuais. Desta forma a não violência nasce do domínio dos pensamentos de rancor, ódio, posse, pois ao percebê-los é necessário atitudes conscientes e perseverantes de transmutá-los em pensamentos envolvidos em perdão, benevolência e amor.

É importante frisar que muitas vezes é necessário se afastar daqueles que insistem em permanecer em atitudes agressivas, invasivas e desrespeitosas, bem como perdoar não é submeter ao outro, mas seguir em frente caso isso seja necessário para preservar a sua vida, a sua saúde mental e física, perdoar é aceitar que aquilo ocorreu, que o outro tem seus limites de consciência, mas jamais isso significa abrir mão do seu autocuidado, ou da sua evolução pessoal. Se afastar muitas vezes poderá inclusive contribuir para que o outro perceba que precisa mudar sua forma de relacionar, se isso não ocorrer ao menos você não irá contribuir para fortalecer esse contexto de sofrimento gerado por atitudes egoístas.

E como fazer isso? Não é fácil, mas com certeza é uma escolha de vida, de modo de ver e se relacionar com o mundo que nos cerca. E, pode ser alcançada por meio de uma vigilância sobre nossos pensamentos, pois senão agirmos de forma firme esses pensamentos podem se instalar no inconsciente e, passaremos a reagir como se fosse uma verdade, isso que se chama na psicologia de crenças negativas e/ou limitantes.

Se observarmos as atitudes agressivas, incoerentes das pessoas neste momento de Pandemia será possível identificar que muitas agem dessa maneira motivadas por atitudes egoístas e desprovidas de empatia, outras por desespero, pois estão atreladas a crenças limitantes. A acumulação excessiva, por exemplo, é uma reação a crença de escassez, e na percepção do outro como inimigo. As postagens e comentários em redes sociais agressivas geram sofrimento em quem é atacado, contribui para uma percepção de violência social, que nada contribui para aquele que ataca, na verdade o distancia a cada momento da sua natureza humana amorosa.

Todos independente do lugar social que ocupam podem ser agentes da harmonia ou da violência, mas lembre-se a omissão não é uma atitude de integridade ou de honestidade. A forma de agir diante das diferentes situações de injustiça, de mentiras, de manipulações precisa estar pautadas em uma consciência de coletividade. Sejamos firmes, verdadeiros, humanos, mas jamais agressivos. Lembre-se quando você reage com agressividade a violência se fortalece no mundo. Sim, é difícil, muitas vezes preciso me distanciar de uma situação, respirar fundo e pensar com cuidado como posso agir aqui para ser agente de conscientização e de paz.

Na prática seria, por exemplo, diante de uma pessoa sem máscara num supermercado que todos agissem para a proteção coletiva. O que vemos é um pessoa geralmente reagindo e as demais olhando, uns por curiosidade, outros por perplexidade, mas se todos agissem de forma coletiva, talvez se todos começassem a bater palmas, até que a segurança chegasse até a pessoa que insiste em ser irresponsável, talvez a pessoa se sentisse mais constrangida, e seu show não seria alimentado pela ação de apenas uma pessoa que teve a coragem de reagir pelo o que é certo.

Outro ponto a ser observado com cuidado, com reflexão é a análise das ideologias, em nosso país tem sido usado para gerar conflitos, mas como humanos devemos buscar o bem comum, as ideias e ações que promovam o bem comum devem ser valorizadas e apoiadas, mas não é tão simples essa percepção, pois as crenças limitantes e o que constitui a construção de cada ser humano pode levar ele acreditar na possibilidades de que ações agressivas podem trazer a paz. Quero a paz no mundo, mas me fascino pela guerra, pelo armamento, ou acredito que a paz virá da destruição de alguns segmentos da sociedade. Nada mais incoerente e absurdo, pois as diferenças não criam direitos de uns sobre os outros, mas a necessidade de tolerância, diálogos e busca do bem comum.

A não violência precisa estar presente em nossas relações com mundo, ou seja, na forma como os humanos se relacionam com a natureza. É inadmissível com todo o conhecimento e tecnologia que a humanidade dispõe vermos governos destruindo florestas, dizimando animais com a justificativa de desenvolvimento, seria melhor admitir que são ações para o enriquecimento de um grupo, e diga-se que é um grupo com uma consciência limitada sobre a vida e sobre o que é felicidade, bem como uma falta de empatia pela geração futura inclusive da sua própria família.

Ser um agente da paz, da harmonia é um caminho de evolução pessoal, de busca de autoconhecimento, nem sempre será fácil, mas há uma recompensa constante de bem estar por sentir que se está sendo uma contribuição ao mundo. Então, seja nesta Pandemia e com tudo que estamos vivendo, aquele que irá favorecer reflexões, cooperação e consciência sobre o que é bom, justo, tolerante e íntegro.



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