Alerta sobre o artigo de uma terapeuta que afirma que as crianças precisam de palmadas



Fiquei preocupada com esta matéria, e fiz pesquisas para descobrir a formação dessa profissional que chegou a escrever um livro sobre o assunto e, mesmo fazendo buscas não encontrei a formação dela, apenas que trabalha há 10 anos com instituições que atendem crianças e adolescentes. Realmente fico preocupa com a maneira que essa mulher orientou e atendeu essas crianças e familiares. A postura mais preocupante dessa profissional foi afirmar que a falta de punição está criando uma geração de criminosos, isso é assustador.


Dentro dessa lógica então em gerações anteriores em que a violência era naturalizada na educação dos filhos a sociedade estava livre de criminosos, uma afirmação rasa e que indica um caminho fácil e nefasto. Fácil porque pela força física os pais podem realmente obter controle das crianças, o medo e a dor calam, reprimem. Nefasto porque impede a construção de uma relação de respeito e amor, uma relação que estimula a autonomia da criança, a disciplina pelo exemplo que fortalece princípios e o equilíbrio emocional, e claro consequentemente a saúde física.

Numa sociedade com altos índices de violência, de acordo com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de 62.517 assassinatos cometidos no país em 2016 coloca o Brasil em um patamar 30 vezes maior do que o continente Europeu. Na última década, 553 mil brasileiros perderam a vida por morte violenta, 153 mortes por dia, estimular a educação pela violência não é o caminho mais inteligente.

Afirmo que o que temos que, com urgência observar e rever, é essa educação instável, com ausência de limites claros e coerentes. Uma criança aprenderá com sua família a maneira de conversar com as pessoas com quem convive, a forma de tratar pessoas diferentes do seu núcleo familiar. Sim, nós humanos aprendemos muito mais pelo que convivemos do que aquilo que desejamos que uma criança aprenda.

A neurociência nos indica que os neurônios espelhos são responsáveis pela nossa inclinação natural de simular situações em nossa mente, nossa mente ensaia e imita todas as ações que observamos, dessa forma nossas crianças tendem a repetir comportamentos semelhantes as pessoas que mais convivem. E, quando adulto essas formas de ação pareceram natural, porque fazem parte de conexões realizadas e fortalecidas inúmeras vezes. Dessa maneira o que conseguimos com a palmada dita educativa é perpetuar um comportamento de descontrole e de agressividade quando somos contrariados.

Essa forma de educar vai na contramão de tudo que está sendo descoberto pela neurociência, sobre a importância de trabalharmos a empatia, a comunicação não violenta, a estimulação ao desenvolvimento pelo desafio e não pelo medo. Essa profissional e todos que apoiam a "palmada educativa", desconhecem o quanto a violência expressa de todas as formas é internalizada pelas crianças e se poderá se tornar comportamentos agressivos no futuro.

Você grita com sua esposa, você menospreza ela, você grita com seu filho, ora diz que pode, ora diz que não, as regras na sua casa são instáveis e confusas e acha que a palmada vai resolver ? Não vai, o exemplo dado pelos adultos é imitado, é ensaiado na mente das crianças inúmeras vezes, o sentimento de raiva e confusão gerado pela instabilidade do caos de regras criadas e desrespeitadas por pais e professores vai gerar comportamentos de desobediência, afinal as regras não estão sendo observadas, respeitadas e é provável que daqui a pouco você conclua que uma palmada não educa, e pode achar que precisa aumentar a intensidade e frequência da palmada, criando um círculo vicioso, verdade um espiral ascendente, que causará sofrimento, traumas e bloqueios.

Educar não é fácil, crianças nos expõem diante de nossas incoerências e dificuldade de conduzir de forma tranquila e serena as situações. Mas, por favor não escolha o caminho fácil e destrutivo da violência. Há maneiras de você impor limites firmes, claros e coerente que levarão seu filho a te respeitar, a te admirar e te amar. E, vai se esforçar mais para acertar, pois não deseja decepcionar você não porque o teme, mas porque lhe respeita e ama.

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